quarta-feira, 14 de julho de 2010

Las meninas - Diego Velázquez

Diego Velázquez - Las meninas/1656
A pedido do “Illustrated London News”, em 1985, um juri formado pelos maiores conhecedores de arte do mundo escolheu as dez maiores obras de arte já realizadas pelo homem. "Las Meninas" de Diego Velázquez ficou em primeiro lugar por unanimidade.

É uma  obra-prima de Velázquez em que aparece a infanta Margarida, suas damas de honra e o próprio pintor.

A obra está hoje no Museu do Prado. Ao centro pode-se ver a infanta Margarida Teresa de Habsburgo, filha de Filipe IV, acompanhada de suas damas de companhia, de seus criados, de uma anã e uma criança que mexe com um cão. Já no canto esquerdo, vê-se um auto-retrato de Velázquez, em cuja veste percebemos a cruz da Ordem de Santiago, que foi incluída na tela somente após sua morte. Os reflexos do rei e da rainha da Espanha surgem num espelho atrás da infanta. Acima do retrato há dois quadros do acervo do palácio e, mais ao fundo, um homem entra em cena e movimenta a cortina, trazendo mais luminosidade à tela.

O artista resolveu com grande habilidade os problemas de composição do espaço, a perspectiva e a luz, graças ao domínio que tinha do tratamento das cores e tons junto com a grande facilidade para caracterizar as personagens.


Entenda melhor a obra e a sua história:



A Família de Filipe IV, mais conhecida como As Meninas, é o nome de um famoso quadro pintado em 1656 pelo pintor espanhol Diego Velázquez.

1- A infanta Margarida, a primogênita dos reis, é a figura principal. Tem cinco anos e está acompanhada polas suas crianças e de outros personagens. Vai vestida com o guardainfante e a basquinha gris e creme. É a alegria dos seus pais como única sobrevivente dos vários filhos que foram nascendo e falecendo. A infanta Margarida foi a pessoa da família real mais retratada por Velázquez. Conservam-se dela sobressalentes retratos no Museu Kunsthistorisches de Viena. Pintou-a pela primeira vez quando não cumprira os dois anos de idade. Esse quadro encontra-se em Viena e é considerado como uma das joias da pintura infantil.



2- Dona Isabel de Velasco, filha do conde de Fuensalida que contraiu matrimônio com o duque de Arcos, a outra criança, está ao outro lado, em pé, vestida com a saia ou basquinha de guardainfante, em atitude também de fazer uma reverência.


3- Dona Maria Agustina Sarmiento de Sotomayor, criança da infanta, filha do conde de Salvatierra e herdeira do Ducado de Abrantes por via materna do sua mãe Catalina de Alencastre, que contrairia matrimônio mais tarde com o conde de Peñaranda, Grande da Espanha. Agustina preitearia pelos seus direitos a suceder no Condado de Monterrey. A Infanta pediu água para beber e D. Maria Agustina ofereceu-lhe sobre uma bandeja um jarro de argila porosa e perfumada que refrescava a água. A criança inicia o gesto de se reclinar frente da real pessoa, gesto próprio do protocolo de palácio.


4- Mari-Bárbola é a anã hidrocéfala que vemos à direita. Entrou em Palácio em 1651, ano em que nasceu a infanta e a acompanhava sempre no seu séquito.


5- Nicolasito Pertusato, italiano, está ao seu lado e aparece batendo com o seu pé_a um mastim pintado em primeiro término, com ar tranquilo. Nicolasito chegou a ser ajuda de câmara em Palácio.


6- Dona Marcela de Ulloa está detrás de Dona Isabel. Vai enfeitada com tocas de viúva. Era a Camareira-Mor (ou guarda-mor da princesa) viúva de Dom Diego de Portocarrero e mãe do famoso cardeal Portocarrero e antes servira à condessa de Olivares.


7- O personagem que está ao seu lado, meio em penumbra, é um guarda-damas mas não o menciona Palomino no seu conto, embora os estudos recentes asseguram que se trata de dom Diego Ruiz Azcona, prelado basco de família fidalga que fora bispo de Pamplona e arcebispo de Burgos, ostentando o cargo de Aio dos Infantes da Espanha.


8- Dom José Nieto Velázquez (talvez parente do pintor) é a personagem que se vê ao fundo do quadro, na parte luminosa, atravessando o corredor por um vão cuja porta aberta nos amostra os típicos quarterões tão de moda naqueles tempos. Este senhor foi chefe da Tapiçaria e Aposentador da rainha. Como diz o crítico de arte Harriet Stone não se pode estar seguro se a sua intenção é sair ou entrar da sala.[10]


9- À esquerda e diante duma grande tela, o espectador vê ao autor da obra, Velázquez. Está de pé e mantém nos seus mãos a paleta e o pincel, numa atitude pensativa, como se examinasse aos seus modelos antes de aplicar outra pincelada. Está trabalhando rodeado de umas personagens cuja identidade é conhecida totalmente.


10 e 11- Filipe IV e a sua esposa Mariana de Áustria, na distância do quadro, refletem-se num espelho detrás do pintor. Com o espelho, desvela-se que pinta Velázquez: pinta aos reis, que posam "fora do quadro", mais ou menos no lugar onde está o espectador. É um truco que nos integra na pintura, fusionando realidade e aparência.
 
É uma das obras pictóricas mais analisadas e comentadas no mundo da arte.


A interpretação mais fácil é descrever a imagem como uma cena habitual em palácio. Segundo Jonathan Brown,  a cena representa o momento em que a infanta Margarida chegou ao estúdio de Velázquez para ver trabalhar o artista. Em algum momento antes que suba a "cortina" pediu água que agora oferece à dama ajoelhada à esquerda. No momento em que esta acerca à princesa uma pequena jarra, o rei e a rainha entram no cômodo refletindo-se no espelho da parede do fundo. Uma a uma, embora não simultaneamente, as pessoas congregadas começam a reagir frente da presença real. A dama de honra da direita que foi a primeira em vê-los, começa a fazer a reverência. Velázquez notou também a sua aparição e detém-se no meio do trabalho. Mari-Bárbola não teve tempo ainda de reagir. A infanta, que estava olhando a Nicolasito Pertusato brincar com o cão, olha de repente para a esquerda, em direção aos reis, embora a sua cabeça permanece ainda volta em direção ao anão. Esta é a razão do estranho efeito de deslocamento entre a posição da cabeça e a direção da sua olhada. Agustina Sarmiento, ocupada em servir a água à princesa, não se deu conta ainda da presença dos reis, o mesmo acontece à senhora de honra em conversação com o guarda-damas que acaba de aperceber-se.

Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Meninas_(Vel%C3%A1zquez)

domingo, 11 de julho de 2010

Pietá - Michelangelo(1499)


Pietà representa a figura isolada da Virgem Maria, que tem nos braços o corpo de Cristo, logo após a retirada da cruz. Possui um incrível panejamento de vestes, com um efeito translúcido, causado pelo efeito da sombra sob a figura.


Uma Pietà (italiano para Piedade) é um tema da arte cristã em que é representada a Virgem Maria com o corpo morto de Jesus nos braços, após a crucificação. Associa-se assim às invocações de Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora das Dores.

O que chama mais a atenção na obra é a fisionomia extremamente jovem e calma da Virgem Maria. Possivelmente a mulher representa toda a humanidade, e Michelangelo talvez tenha se inspirado no trecho da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, no trecho do Paraíso, XXXIII, I-2: “Virgem Mãe, filha do teu filho” (ALIGHIERI, 2004, p. 518). Na figura do Cristo, não se observa uma representação da morte, mas sim a fisionomia de um homem abandonado, mas sereno.

“A mão direita da madona, que sustenta com força o corpo inerte, tem os dedos abertos, evidenciando as costelas do Cristo. O braço direito deste, por sua vez, aponta para o achado. Por fim, a pista mais eloqüente: a faixa em que Michelangelo esculpiu o próprio nome passa por cima da estrutura anatômica. [...] O achado está contido em uma forma triangular na porção inferior da escultura. Um dos lados desse triângulo é formado pelo dorso, a região glútea e a coxa direita de Jesus. A panturrilha e o pé direito deste compõem o segundo lado. O terceiro é constituído por uma linha sobre o mando da Virgem, um pouco arqueada, que começa nos pés do Cristo e se eleva até a extremidade esquerda da estátua. Nesse ‘triângulo’ encontra-se a representação do corte frontal do hemitórax direito. Abaixo do pé direito de Jesus se observam, nas dobras do manto, duas costelas seccionadas”.(por BARRETO; OLIVEIRA (2004, p.187, 189, 191):


Michelangelo achava que, entre todas as artes, a mais próxima de Deus era a escultura. Deus havia criado a vida a partir do barro, e o escultor libertava a beleza da pedra. Segundo ele, sua técnica consistia em ‘libertar a figura do mármore que a aprisiona’. Enquanto outros escultores adicionavam pedaços de mármore para disfarçar seus erros, Michelangelo fazia suas esculturas num bloco único.
Michelangelo Buonarroti foi conhecedor de todas as artes, desde a pintura, a arquitetura, a escultura e até a poesia. Suas figuras são contorcidas, atormentadas, sofridas e expostas com grande carga dramática.
 Veja Pietá no video abaixo:




Saiba mais: http://www.michelangeloclub.com/pieta-de-michelangelo.html

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Monalisa - Leonardo Da Vinci

A Monaliza - Leonardo Da Vinci

Significado Esotérico da Mona Lisa (Do Blog http://www.gnosisonline.org/arte-superior/leonardo-da-vinci/)

"Esta obra, considerada a maior obra de arte de todos os tempos, tem uma representação alquímica profunda. Segundo o Mestre Samael, a Gioconda representa a Divina Mãe Kundalini, a sagrada Mãe Alquimia ou, para Fulcanelli, é a poderosa Mãe Viúva, ou seja, a Ciência da Alquimia. Vemos a figura de uma austera figura de mulher, cujo sorriso é, ao mesmo tempo, agradável e marcial.Ela veste roupa nas cores vermelha e verde, as duas cores fundamentais da Alquimia, ou seja, as cores do Leão Verde e do Leão Vermelho, as duas mais poderosas forças da Alquimia, nosso Ser (verde) e nossa Mãe Kundalini (vermelho).
Suas mãos estão numa postura  de defesa, representando que ela alegoriza a ciência hermética, esotérica. E Ela mostra não a totalidade dos dedos de suas mãos, mas unicamente 9 dedos.


O que representa o número 9 dentro da Alquimia senão o Arcano 9 do Tarô, o Eremita solitário? A Nona Esfera da Magia Sexual? Os 9 Céus e os 9 Infernos de Dante?


Lá no fundo do quadro vemos dois Caminhos, as famosas Vias Seca e Úmida da Alquimia Sagrada.
O Caminho Úmido, indica a Senda Nirvânica, que é uma senda maravilhosa, e o Caminho Seco, que assinala o Caminho Direto para Deus, para o Absoluto, que é um Caminho Superior. Porém, esses dois Caminhos só existem quando compreendemos que eles têm um Guardião, que é essa bela e austera Senhora, nossa Mãe Divina Interior Kundalini. Sem Ela.não há verdadeiro trabalho de Alquimia.


Da Vinci conhecia a fundo a ciência alquímica e por meio da Inspiração ele conheceu sua Mãe Divina particular, pois todos nós temos a nossa própria e íntima Mãe.Uma última observação: os nomes Mona Lisa e Gioconda têm as 3 letras fundamentais IAO, que são os mantras secretos dos gnósticos. IAO é um dos mantras sagrados da Magia Sexual." (Fonte: Gnossisonline)

"Monalisa (também conhecida como "La Gioconda" é a mais notável e conhecida obra de Da Vinci.É nesta obra que o artista concebeu a técnica do "sfumato".Este quadro é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte,senão o quadro mais famoso de todo mundo.Poucos trabalhos de arte são tão controversos,questionados,valiosos e eleogiados,comemorados ou reproduzidos.Seu olhar enigmático,sorriso restrito,apresenta uma mulher tímida e ao mesmo tempo introspectiva.A obra em si,induz a múltiplos questionamentos.É um desafio secular que encanta a estudiosos,estudantes,pintores."(Fonte: Wikipédia)

"A última análise à enigmática Mona Lisa confirma que a personagem desenhada por Leonardo da Vinci está feliz. O quadro foi interpretado por um computador da Universidade de Amsterdã , recorrendo a software apropriado para reconhecimento de emoções. De acordo com esta análise, Mona Lisa estava 83 por cento feliz, 9 por cento angustiada, 6 por cento assustada e 2 por cento chateada. As conclusões da investigação vão agora ser publicadas na próxima edição da revista New Scientist. O computador cruzou variantes como a curvatura dos lábios e as rugas em torno dos olhos, para chegar a este "veredicto". O projeto foi conduzido conjuntamente com alguns pesquisadores da Universidade norte-americana de Illinois, que ajudaram na construção de uma base de dados de rostos de mulheres jovens com expressão "neutra", que serviu de apoio ao software. O programa recorre, na fase de análise, a este standard da base de dados para fazer comparações.

O quadro de Monalisa, pintado entre 1503 e 1506, tem intrigado a comunidade científica e artística ao longo dos tempos. Em 2003, uma teoria apresentada na Universidade de Harvard, defendia que o enigmático sorriso associado a este quadro era apenas aparente e visível a partir de determinados ângulos da pintura. No entanto, a especulação em relação à história desta famosa pintura continua e por certo não vai terminar nesta análise."(Fonte: Wikipedia)

Uma outra análise - Veja o vídeo abaixo:
Conheça mais Leonardo Da Vinci: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1153.html http://www.suapesquisa.com/leonardo/

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Salvador Dali - " O sono" - pintura surrealista

O sono - Salvador Dali

"Salvador Dalí foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. Os quadros de Dalí chamam a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica.

Dalí foi influenciado pelos mestres da Renascença e foi um artista com grande talento e imaginação. Era conhecido por fazer coisas extravagantes para chamar a atenção, o que por vezes incomodava os seus críticos."


Salvador Dali representa o sono como uma cabeça que lembra um enorme lençol,apoiada em muletas.No conjunto da tela há representações da realidade - casa,cachorro,mulher,barco - em um espaço indefinido.Dada a ausência de lógica,a cena lembra imagens de um sonho.

O sono pintado em 1937 por Salvador Dali retrata o  surrealismo pois transmite uma visão para alem de realidade, tem uma combinação adequada de cor, demonstra a imaginação do sonho e a alucinação.Nesta interpretação fantástica do sono, só se vê a cabeça da figura que dorme, contra um fundo de imagens oníricas. O equilíbrio delicado da figura indica que, se uma só forquilha faltar, ela acordará. Isso mostra a fragilidade do estado de sono. A atenção meticulosa de Dalí aos detalhes cria uma atmosfera de hiper-realismo. Como membro do movimento surrealista, ele promoveu a idéia do absurdo e o papel do inconsciente em sua arte. Embora frequentemente provocasse escândalo público, a reputação de Dalí e sua contribuição para a arte são inegáveis. Depois de trabalhar em Nova York e Paris, Dalí voltou para sua Espanha natal em 1955, lá se estabelecendo com sua companheira de longa data, Gala, de quem pintou vários quadros estranhos e maravilhosos.

"Nos quadros fazia experiências com o cubismo e o dadaísmo. Tornou-se amigo do poeta Federico García Lorca e do cineasta Luis Buñuel.

Dalí foi expulso da Academia de Artes em 1926, depois de declarar que ninguém ali era suficientemente competente para avaliá-lo. Foi nesse mesmo ano que Dalí fez sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso."


Salvador Dali é sem duvida um dos principais representantes do surrealismo.

Fonte: wikipedia e uol.com


Leia mais: http://www.ciencias.com.br/pagina_bedaque/dali/quadros.htm

Trigal com corvos - Van Gogh (1890)

Vicent van Gogh foi um exemplo clássico de fracasso em vida. Vendeu uma só única tela em toda a sua existência. Quanto a isto, profetizou: “Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta”.

Profecia acontecida.Hoje as telas de van Gogh valem milhões.
Van Gogh pintou essa tela - Trigal com corvos -  alguns dias antes de sua morte.Observe como as pinceladas são bem visíveis e as cores pouco se misturam.Note,ainda,que os elementos que compõem a paisagem,como os pés de trigo,os caminhos da terra no meio da plantação, o céu e os corvos são apenas sugeridos ao observador.

Críticos e historiadores de arte analisam a obra como uma representação do estado de espírito de van Gogh na ocasião. Um céu ameaçador e escuro, os três caminhos no campo, sendo o central um beco sem saída e os dois outros de final ou percurso desconhecidos e os corvos, símbolos de maus presságios ou mesmo de morte. De fato, van Gogh se suicida após concluir esta tela.

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Vincent van Gogh (1853-1890), pintor pós-impressionista holandês. Viveu a maior parte de sua vida na França e sua obra teve influência decisiva no expressionismo.
Enquanto viveu,Vicent Van Gogh não teve reconhecimento: o público e os críticos não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna,nem compreender seu esforço para expressar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.

"No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver. E domingo. Pinta seu último quadro. O trigo está dourado, o céu totalmente azul. Corvos pretos grasnam, fugindo em revoada. No meio do campo, um tiro no peito. Socorrido pelo filho do Dr. Gachet, aguarda lúcido a chegada de Theo. Morre dia 29, dizendo a Theo: "A miséria não tem fim. "

CLICK AQUI E VEJA NO YOU TUBE A TELA TRIGAL DE CORVOS

Leia mais: http://www.serazul.com.br/Van.htm
http://www.webtelas.xpg.com.br/van_gogh.htm

domingo, 4 de julho de 2010

O Grito (1893) - Edvard Munch


Movimento expressionista
A emoção na distorção

Observe que a tela representada  parece contorcida sob o efeito de emoções como o medo,aflição,incerteza.As linhas curvas do céu e da água,assim como a linha da ponte,conduzem o observador à boca da figura,que se abre num grito perturbador,ou seja,um grito de desespero.

O Grito, 1893. Munch descreveu assim a experiência que o levou a pintar a sua obra-prima:
«Caminhava eu com dois amigos pela estrada, então o sol pôs-se; de repente, o céu tornou-se vermelho como o sangue. Parei, apoiei-me no muro, inexplicavelmente cansado. Línguas de fogo e sangue estendiam-se sobre o fiorde preto-azulado. Os meus amigos continuaram a andar, enquanto eu ficava para trás tremendo de medo e senti o grito enorme, infinito, da natureza.»


 Munch imortalizou esta impressão no quadro O Desespero, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à da sua experiência pessoal. Não contente com o resultado, Munch tentou uma nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada. Tal como o seu percursor, esta primeira versão d’O Grito recebeu o nome de O Desespero.


Observe que ao fundo temos  um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). A figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.

A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

Ou seja,

 A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, ao lado da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

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A fonte de inspiração d’O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem eduado por um pai controlador, que assistiu em criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, bem pelo contrário. Munch acabou por se envolver com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e no início da década de 1890, Laura a sua irmã favorita, foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico.

Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.

FONTE: dO WIKIPEDIA




A Dança (1909) - Henri Matisse


Para Matisse,as figuras interessam como formas que constituem uma composição.Observe nesse quadro como as figuras humanas,o céu ao fundo e a terra formam um todo.Veja o emprego simples,mas intenso,das cores: o azul forte do céu,o verde da terra e o vermelho dos corpos.Note ainda a impressão de movimento que temos ao olhar as figuras que dançam entre o céu e a terra.Repare nos pés e nos braços das figuras:cada uma delas parece continuar o movimento iniciado pela outra,como numa roda que gira sem interrupção.

"Em Henri Matisse a profusão de cores se faz presente. Utilizava a cor como meio mais de expressão do que de discrição e desdenhava as regras convencionais. A cor teve papel fundamental na sua obra. Nessa obra “A dança” permite o azul emergir como azul absoluto, e o mesmo vale para o verde da terra, para o vermelho vibrante dos corpos (Argan, 1992:154). "

Dentro do esquema cromático, no processo da escolha das cores  buscam expressividade em cada cor e seu valor absoluto: o azul absoluto; o vermelho, um vermelho absoluto; o amarelo, um amarelo absoluto; o verde, um verde absoluto, tudo isso respeitando a natureza peculiar da tinta ali se sobrepondo, camadas sobre camadas.



".O azul – “a cor do céu, sem nuvens, dá sensação do movimento para o infinito”, de acordo com Farina (2000). Presente aqui abre  a permissão para que cada espectador o sinta como um sentimento profundo, uma intelectualidade, uma verdade. Amarelo – simboliza a cor da luz irradiante em todas as direções. Preso... não. É lhe permitindo a busca, a expansão, e a luta por não se isolar. Permite-se a expectativa. Está presente a iluminação: o farol que me guiará para o ponto desejado – ela me ilumina... quero chegar até lá ... Vermelho “simboliza a cor de aproximação de encontro”, segundo Farina (2000). O vermelho que me circunda no amarelo é o calor é coragem, a alegria é a excitação, e a paixão que me impulsiona para que o eu não se  sinta um ser estático. Estou em movimento, aceito a mudança, sou cercada por impulso dinâmico ao que me impelem para uma busca de realizações maiores."


Dos pintores Fauvistas,Henri Matisse (1869-1954) foi sem dúvida,o mais expressivo.Destacou-se pela despreocupação com o realismo tanto nas formas quanto nas cores.Em sua obra,os objetos representados são menos importantes que a maneira de representá-los.

 No livro "Arte Moderna" de Argan  "O quadro tem um significado mítico-cósmico: o solo é o horizonte terrestre, a curva do mundo; o céu tem a profundidade do azul-turquesa dos espaços interestelares; as figuras dançam como gigantes entre a terra e o firmamento. Ao Cubismo que analisa racionalmente o objeto, Matisse contrapõe a intuição sintética do todo. É este precisamente o quadro da síntese, da máxima complexidade expressa com a máxima simplicidade. É a síntese das artes. A música e a poesia confluem na pintura, e a pintura é concebida como uma arquitetura de elementos em tensão no espaço aberto; é síntese entre a representação e a decoração, símbolo e realidade corpórea, entre o volume, a linha e cor. Todavia, a síntese ainda pode ser um cálculo racional; é preciso ir além, identificá-la como uma beleza nunca vista e quase monstruosa, sobrenatural, para além dos diferentes naturalismos do belo clássico e do belo romântico. E deve ser um belo que também abarque e resolva em si o seu contrário, o feio, pois um belo que tivesse um contrário não seria universal: o mesmo módulo de beleza deve valer para as figuras, a terra e céu. Portanto, o belo não pode ser uma forma finita, e sim contínua e rítmica: as figuras se alongam e se dobram no ritmo que as transformam, e a sua beleza, cósmica e não física, não se dissocia da beleza do espaço em que se movem. Assim como não pode haver um equilíbrio estático, não pode haver um ritmo regular e uniforme; o ritmo deve se gerar no quadro (veja-se o pé de uma das figuras que calca a terra, como se esta fosse elástica, e o círculo sempre interrompido e o retomado dos braços) e ascender progressivamente a um clímax de máxima intensidade, levando todos os valores (cores e linhas) a um vértice onde pode ser captado apenas por uma sensibilidade estimulada além de seus próprios limites. Matisse, agora, opera para além de todos os registros, de todas as gamas, de todas as combinações a que o olhar humano está acostumado pela experiência da natureza: na dimensão ultra-sensível, mas não transcendente, das ultracores. Tal era sua intenção ; prova-o uma carta, em que afirma ter procurado "para o céu um belo azul, o mais azul dos azuis (a superfície é pintada até a saturação, vale dizer, até um pouco em que finalmente emerge o azul, a idéia do azul absoluto), e o mesmo vale para o verde da terra, para o vermelhão vibrante dos corpos.[...] " (Argan, pg.259)

 Veja o video:






Saiba mais: http://www.pintoresfamosos.com.br/?pg=matisse

Café (1934-1935) de Cândido Portinari

Café - Cândido Portinari - 1935
Observe na obra de Portinari as figuras humanas:os pés e as mãos são bastante grandes;os corpos sugerem volume.Esses detalhes revelam o trabalho diário nas plantações de café,que exige força e ignora a fraqueza das pessoas.O corpo humano sugerindo volume e os pés enormes,que transmitem a sensação de que as pessoas se relacionam intimamente com a terra,sempre representada em tons vermelhos.

São homens e mulheres que trabalham com o café, alguns colhem, outros ensacam,outros carregam.Era um trabalho pesado. O diretor geral do Instituto Cândido Portinari, João Cândido Portinari, 70 anos, filho do artista e professor universitário já disse que "O café sempre foi recorrente na pintura e nas suas obras literárias. É uma lembrança da origem da família, imigrantes italianos que aqui chegaram no fim do século XIX para justamente trabalhar na colheita do café no interior de São Paulo". Ele cita vários versos escritos pelo pai, onde o chamado "ouro verde" é lembrado. "Saí das águas do mar e num pé de café nasci", registrou.

Já a  Ms. Glauce Maris Pereira Barth em seu  artigo "A leitura do café: suas possíveis relações matemáticas e a perspectiva de genêro"   faz uma análise dizendo  "O olhar rural de Portinari visualizava a força do trabalho braçal e manual dos escravos e camponeses que trabalhavam nas fazendas de café. Homens e mulheres foram representados.

 Observa-se que nos dois primeiros planos da pintura, os homens, devido à força e estrutura física, eram os principais carregadores das sacas de café colhidas, em sua maioria, pelas mulheres; somente as mulheres com boa resistência física carregavam as sacas. 

No terceiro e último plano, temos a colheita, na qual a maioria dos colhedores são mulheres, a roupa usada as diferencia dos homens."  

Mais a frente ela diz ainda :" A obra mostra o retrato de uma cena de colheita de café, típica da região de origem do artista, Brodósqui. Nela, é colocada em evidência a importância da mulher e do homem como trabalhadores, colaboradores do desenvolvimento econômico brasileiro, já que são os responsáveis pela riqueza comercial do produto e do sucesso de venda no exterior, apresentando, assim, o Brasil ao mundo." 

Portanto fazer um estudo da obra de Portinari visando o conhecimento de seu trabalho o leitor só tem a ganhar,pois trata-se de um dos maiores pintores brasileiros nascido na fazenda Santa Rosa no interior de SP. Veja um pouco mais no video abaixo:

Leia mais: www.culturabrasil.org./portinari.htm

Operários - Tarsila do Amaral - 1933

Operários — 1933
óleo/tela 150 X 205cm,


A pintora Tarsila do Amaral expressa o mundo do trabalho:um grande número de rostos colocados lado a lado,todos sérios;nenhum sorriso,pois a preocupação não deixa lugar para a alegria.São pessoas que nos olham fixamente como a nos lembrar que é duro o trabalho nas fábricas,presentes na obra sob a forma de um prédio austero e chaminés cinzentas.A obra é um raro exemplo da etnia brasileira.Por isso foi escolhida para representar os museus frente ao diálogo intercultural,do pluralismo de ideias,do desenvolvimento humano e do respeito à diversidade.

 O quadro Operários foi pintado em um momento em que Tarsila esteve ligada politicamente ao comunismo. No início dos anos 30 Tarsila esteve na União Soviética e participou de reuniões do Partido Comunista Brasileiro. Nesta época, a política e a temática do trabalho fizeram-se presentes em duas de suas obras: Operários e Segunda Classe (1933).Ambas as telas ilustram o momento politico e social brasileiro do início dos anos 30: industrialização, migração de trabalhadores, consolidação do capitalismo industrial e de uma classe de trabalhadores marginalizada e explorada.
Segunda Classe - Tarsila do Amaral

O quadro de Tarsila do Amaral acima é um retrato do conjunto de operários das fábricas brasileiras. Os rostos sobrepostos remetem à massificação do trabalho e às condições de vidas nas cidades. Estão representadas diversas etnias, fazendo referência à migração de diferentes locais do Brasil e do mundo para as metrópoles. A expressão dos operários representados é de tristeza, indiferença, cansaço. Representam as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos, e a falta de perspectivas que predomina no contexto de opressão da chamada “Era Vargas”. O quadro, juntamente com “Segunda Classe”(acima), é uma expressão do crescimento capitalista no Brasil e do preço pago pelos trabalhadores para que seu êxito fosse garantido.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Negra - Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral pintou a tela “A Negra” quando estudava em Paris. A artista buscou mostrar em sua arte um ambiente tipicamente tropical do Brasil, fato este facilmente identificável através da gigantesca folha da bananeira em diagonal semicurvada que se entrelaça a figura da negra.

A figura sentada, de braços cruzados e pernas grossas e toscas,tem uma aparência imóvel, como de uma imagem estática que a memória traz de volta do passado. O olhar triste parece invocar a tristeza, a melancolia e o pessimismo; fatores dos quais muitos negros vieram a morrer. Na época recebia o nome de Banzo; hoje é a conhecida “depressão”.

Em A Negra temos elementos cubistas no fundo da tela e ela também é considerada antecessora da Antropofagia na pintura de Tarsila. Essa negra de seios grandes, fez parte da infância de Tarsila, pois seu pai era um grande fazendeiro, e as negras, geralmente filhas de escravos, eram as amas-secas, espécies de babás que cuidavam das crianças.


Na interpretação da tela de Tarsila, através das pernas cruzadas da negra é possível depreender que a mesma possa estar protegendo-se contra a agressão física de  seus senhores, contra o abuso sexual que sofria dentro da casa grande, fechando o sexo. Era comum os senhores engravidarem as mucamas na mesma época que engravidavam suas esposas,para que estas amamentassem seus filhos ,portanto a pintura em si denuncia a condição dos negros na sociedade da época, o enorme seio sugere ser a mulher "ama-de-leite",que muitas vezes tinha o próprio filho vendido para que pudesse amamentar  o filho e/ou filha de seu dono ;as pernas cruzadas sugere a mulher se protegendo,fechada ao sexo,visto que as "mucamas"muitas vezes tinham de "servir" aos seus "donos".


Leia mais sobre Tarsila: www.tarsiladoamaral.com.br/historia.htm

Abaporu - Tarsila do Amaral

Manifesto Antropofágico
Publicado na Revista Antropofagia (1928), propunha basicamente a devoração da cultura e das técnicas importadas e sua reelaboração com autonomia, transformando o produto importado em exportável. O nome do manifesto recuperava a crença indígena: os índios antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades.

"A idéia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu (aba = homem; poru = que come).
A intensa relação amorosa e intelectual com Oswald fez Tarsila pintar, em 1928, Abaporu (“homem que come carne humana”, em tupi). O quadro impressionou tanto Oswald que serviu como mote para o Movimento Atropofágico, nome dado a segunda fase de Tarsila, que “deglutiu” ainda mais radicalmente referências culturais estrangeiras em um ambiente brasileiro."

"Uma figura solitária, monstruosa, pés imensos, sentada numa planície verde, o braço dobrado num joelho, a mão sustentando a peso-pena da ‘cabecinha-minúscula’. Em frente, ‘um cacto explodindo numa flor absurda’. Quando uma de suas amigas diz que suas pinturas antropofágicas lembravam-lhe pesadelos, Tarsila então identifica a origem de sua pintura desta fase: “Só então compreendi eu mesma que havia realizado imagens subconscientes, sugeridas por histórias que ouvira quando em criança, contadas no hora de dormir pelas velhas negras da fazendo. Segui apenas numa inspiração, sem nunca prever os seus resultados.” Aquela figura monstruosa, de pés enormes, plantados no chão brasileiro ao lado de um cacto, sugeriu a Oswald de Andrade a idéia da terra, do homem nativo, selvagem, antropófago... (AMARAL, Aracy apud AZEVEDO)"

Tarsila valorizou o trabalho braçal (corpo grande) e desvalorizou o trabalho mental (cabeça pequena) na obra,pois era o trabalho braçal que tinha maior impacto na época.
. Além de apresentar alguns traços surrealistas e evidenciar a preocupação de Tarsila com a estilização do desenho, a obra traz fortes características brasileiras, como as cores da bandeira nacional (verde, amarelo e azul). O pé grande da figura representa a intensa ligação do homem com a terra.

O Pensador - Rodin
Podemos dizer que ABAPORU é uma re-escritura da obra "O Pensador de RODIN (Rodin é considerado um artista obstinado pelas formas, principalmente a forma humana. “O Pensador” se transformou em verdadeiro ícone popular da imagem de um filósofo, renovando a arte da escultural no século XIX, em sua posição reflexiva, constitui-se na representação da figura humana em profunda e sincera preocupação com o seu destino).

" “Abaporu” a re-escritura do “Pensador” não se dá apenas pela posição corporal da personagem, mas também pela estética do fragmento e do bloco. E, se juntarmos à isso a re-escrituração de brasileiridade podemos compreender o texto por suas re-escriturações e, não apenas por sua forma ou conteúdo como é comumente lido pelos críticos de arte e educadores.
O que nos interessa aqui é a transversalidade das relações, pois compreende-se  que o funcionamento do texto não é somente referencial, justamente por isso, aponta-se  para a re- escrituração e não para referência. Não há como dizer que Tarsila tenha usado Rodin como referência, mas, pode-se  apontar para os efeitos de sentido presentes num texto e em outro. Pois é o funcionamento do texto que nos interessa e não seu referencial. No discurso artístico a pergunta não pode ser o que o artista quis dizer, mas, como o diz, como os sentidos funcionam e produzem efeitos.
Desta forma, percebe-se o funcionamento do fragmento (legado deixado por Rodin), como uma regularidade do texto de Tarsila: no fragmentos o reflexo do sol, por exemplo. A luz vem de fora, mas, as marcas estão no corpo da personagem e no cacto, reescrevendo materialmente os efeitos de exterioridade que colocam-se no texto de Rodin. No entanto, o fragmento só pode ser compreendido pelo bloco: sol abrasador no Brasil, neste caso, também reescrevendo brasileiridade. O sol funciona aqui, pela exterioridade. O que pode-se  dizer, é que não dá para fazer a leitura do sol, pela estética do fragmento, pois isso levaria a interpretação de que o sol poderia estar representado   pela flor do cacto, no centro do quadro.

A re-escrituração não é uma questão coerciva, mas a relação de produção de sentido. Por que ressalta a diferença. Tarsila não diz “O pensador”, diz “O Abaporu”. Uma personagem que reflete sobre o seu tempo e o seu tempo é de pensar – sentir a sua terra e tudo o mais que lhe constitui. Talvez, traga por meio de imagens, a discussão antropológica sobre conhecimento sensível versus conhecimento científico, mas, mesmo assim, diz sobre o conhecimento."

(Fonte: Trecho de A TESSITURA DA TEXTUALIDADE EM “ABAPORU” Nádia Régia Maffi Neckel - Doutoranda do Programa de Lingüística da Universidade de Campinas (UNICAMP) ;Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Arte e Educação da Universidade do Contestado (UnC) )
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Ao considerar a descrição do “Abaporu”, é possível perceber que “Antropofagia” dá continuidade ao movimento antropofágico lançado em 1928, porque, tal como na tela precursora( A Negra) dessa fase das artes brasileiras, pode-se ler  na obra de 1929:
* No plano temático: a ausência de recalques, de Freud e, em especial, da “vergonha de ficar pelado”, aspecto notável na nudez primitiva, espontânea das personagens;
* no plano das formas e da composição das imagens: o retrato de cactos e folhas de bananeira, bem nacionais; formas distorcidas, que remetem a vanguardas européias (Cubismo e Expressionismo).
 Veja o video e conheça um pouco mais de Tarsila:


ANTROPOFAGIA - Tarsila do Amaral

Você já prestou atenção a essa tela? Nada mais é do que a junção  do "Abaporu" com "A Negra". Este aparece invertido em relação ao quadro original. Trata-se de uma das telas mais significativas de Tarsila.
Veja o video:

Rosa e Azul - Renoir

Rosa e Azul - Renoir (1881)


 Produzida em Paris no ano de 1881, a obra retrata as irmãs Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro judeu Louis Raphael Cahen d’Anvers.A loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de idade.
 Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice, em 1965. Elisabeth teve um destino trágico. Divorciada do primeiro marido, o diplomata e conde Jean de Forceville, casou-se com Alfred Émile Denfert Rochereau, de quem também se divorciou. Em 1987, por ocasião da exposição de obras do MASP na Fondation Pierre Gianadda, em Martigny, Suíça, o sobrinho de Elisabeth, Jean de Monbrison, escreveu ao museu relatando seu triste fim: ela se convertera ainda jovem ao catolicismo, sendo mesmo assim enviada para Auschwitz, devido à sua origem judaica, e morreu a caminho do campo de concentração, em março de 1944, aos 69 anos.

 Perfiladas um pouco nervosamente diante de uma pesada cortina de cor de vinho, aberta para revelar um interior opulento, as duas meninas, impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, cinco anos de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece um pouco mais confortável enquanto posa.

Além de ser uma obra-prima, Rosa e Azul sintetiza algumas das preferências de Renoir( Pierre Auguste Renoir -França - 1841-1919). O nome remete às tonalidades que estarão presentes em muitas das telas, sendo suas cores favoritas. As meninas quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. Além disso, o quadro apresenta uma mistura de técnicas que marca muito o trabalho de Renoir. Temos aqui três momentos bem distintos, criados com três técnicas diferentes. O primeiro deles é o rosto polido das meninas, praticamente sem sombras, muito bem trabalhado e de forma bem arredondada. Em seguida, percebe-se a tinta gorda esticada com um pincel chato que dá todo o volume e textura do cinturões dos vestidos. O terceiro momento é a sensação causada pela textura do vestido, pelo qual ele deixa transparecer a estrutura do corpo das meninas. Neste caso, ele aplica a técnica do pontilhismo - muito usada por seu amigo Alfred Sisley (1839-1899) - os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto, mas que se fundem na visão do espectador ao serem vistos a distância. Este quadro demonstra ainda toda a energia de vida que Renoir sempre quis retratar em suas obras. (Por Percival Tirapeli )
Para o seu mundo de artista Renoir levava unicamente o que lhe fazia bem aos olhos e a alma. Por isso é fácil gostar de sua arte: não precisa ser interpretada ou lida de modo intelectualizado e nem confrontada com princípios ou idéias. Sem ser revolucionário e sem radicalizar contra qualquer conceito, Renoir firmou-se por uma aceitação quase universal. A sua idéia não era exatamente retratar a realidade, mas a maneira como essa realidade lhe causava uma impressão no instante dado. Junto com outros, como Monet que era seu principal amigo, criou assim a escola impressionista, em Paris, no final do século XIX.
Conheça um pouco mais de Renoir: www.angelfire.com/pa/genesis4/RENOIRBIO.html

PICASSO - A personificação do Modernismo








A tela O Beijo (acima, à dir.), o retrato de Jacqueline (à esq.) e o estudo para Les Demoiselles d'Avignon (acima): o pintor produziu 36 000 obras e já era milionário em 1914
Imagens da exposição
O pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) foi a personificação do modernismo nas artes plásticas. Surgida no começo do século XX, sua pintura cubista representou uma ruptura com a arte feita até então e teve enorme influência sobre as gerações posteriores. Com suas relações amorosas agitadas e seu talento para a autopromoção, Picasso se tornou um mito ainda em vida e desde cedo exerceu fascínio sobre multidões.

Um dos artistas mais prolíficos de todos os tempos, ele produziu nada menos do que 36.000 trabalhos. Em 1914, já era milionário e, ao morrer, tinha mais dinheiro do que qualquer outro pintor jamais teve.
Hoje, suas telas alcançam cifras de dezenas de milhões de dólares nos leilões e até mesmo os críticos que vêem sua obra com reservas, como o inglês Paul Johnson, reconhecem que ele é um referencial inescapável. "Picasso levanta questões de apreciação que são únicas na história da arte.

Diante dele, todos somos obrigados a formar opinião", pondera Johnson num livro lançado no exterior, Arte: uma Nova História. Pertencentes ao Museu Picasso, de Paris, as 125 obras – entre pinturas, esculturas, obras em papel e cerâmicas – compõem um panorama abrangente de sua produção. Ordenada de forma cronológica, a exposição vai da tela Garota com Pés Nus, feita por Picasso aos 14 anos, até trabalhos datados de 1972, quando ele era nonagenário.

Na primeira vez que o público brasileiro viu uma grande mostra de Picasso – durante a Bienal paulistana de 1953, que teve o célebre painel Guernica como atração –, o pintor ainda ocupava o centro da cena artística. Suas telas eram a própria imagem da transgressão.
Mas agora os tempos são outros: a arte vive a era que os críticos costumam chamar de pós-moderna, e o modernismo já se tornou artigo de museu. À distância das polêmicas que cercavam o movimento, tem-se a chance de entender e avaliar a obra de Picasso com maior serenidade. Trata-se de um artista de muitas fases . Da fase azul de seu início de carreira pode-se analisar, Retrato de um Homem (1902-1903), além de alguns desenhos. A obra de Picasso está bem servida de obras que cobrem o auge da produção do artista, do advento do cubismo, sem dúvida o movimento mais influente do modernismo, até o fim dos anos 30. Há dois estudos para um dos quadros mais importantes de Picasso, Les Demoiselles d'Avignon (1907), marco inicial do cubismo. A fase metamórfica, em que o pintor exprimiu seus fantasmas e instintos em imagens dilacerantes, tem uma representante à altura na tela O Beijo (1925). Também não falta uma obra de caráter político marcante. Assim como Guernica, A Mulher Chorando (1937) é uma denúncia das atrocidades cometidas pelos partidários do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola.
Dos anos 40 até sua morte, Picasso continuou a produzir arte em escala impressionante, mas suas obras não mais ostentavam o vigor das três primeiras décadas do século XX. Há exceções, é verdade. Num retrato de Jacqueline Roque, a última de suas sete mulheres, datado de 1954, o equilíbrio entre concepção original e técnica impecável remete ao Picasso dos tempos áureos. A maioria dos críticos concorda, entretanto, que nessa época o artista já começava a se repetir, produzindo telas que às vezes mais pareciam uma paródia do cubismo.
Se na arte as realizações de Picasso são quase uma unanimidade, o mesmo não se pode dizer de sua conduta na vida pessoal. Não foram poucos os contemporâneos que descreveram o artista como uma figura cínica e manipuladora. Embora sua pintura fosse condenada na Alemanha nazista, durante a II Guerra Mundial ele teria trabalhado sem problemas na França ocupada, graças à amizade com um dos artistas prediletos de Hitler e à tática de presentear poderosos com suas obras. Sedutor incansável, Picasso inspirou-se nas mulheres com quem se relacionou para conceber algumas de suas principais criações. Seus romances quase sempre terminaram de forma escandalosa e traumática. A má fama nessa área foi alimentada pela sanha sensacionalista dos próprios familiares. Sua neta Marina Picasso, por exemplo, lançou um livro de memórias em que o avô é descrito como um monstro com as mulheres. Na arte, ele também foi um monstro – mas dos sagrados.

Mulher chorando - Arte em todos os sentidos

A trágica marca de Guernica multiplica-se em outras obras de Picasso de 1937 - como esta - e dos anos que virão.


O quadro acima intitula-se Mulher chorando.

"Muitos artistas diziam que Picasso não tratava a mulher como sujeito, mas como objeto, porém sua ligação com elas sempre esteve presente em toda a sua obra. A forma como Picasso retrata a mulher se liga ao momento afetivo de sua vida e a forma como percebe as mulheres." (fonte http://www.ip.usp.br/laboratorios/lapa/versaoportugues/2c53a.pdf)

Nenhuma mulher gostaria de ter tais feições, a menos que estivesse sendo vítima de alguma possessão diabólica. Que moça ou senhora sentir-se-ia à vontade, olhando-se no espelho e vendo refletida essa figura? Pensaria tratar-se de uma alucinação. Ou então, que um demônio teria desfigurado sua face.Entretanto, esse é um dos quadros mais celebrados de Pablo Picasso, quando tinha 56 anos, pintado em 1937.
Mas não pense o leitor que esse e numerosos outros quadros medonhos ou inextricáveis foram por ele produzidos por falta de talento. Não! Picasso tinha muito talento.

Asim como Guernica, A Mulher Chorando (1937) é uma denúncia das atrocidades cometidas pelos partidários do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola.


"Em 1937, quando Picasso pintou  Mulher chorando, sob o impacto da notícia do bombardeio de Guérnica inspirou-se em sua nova companheira, a fotógrafa Dora Maar e é a expressão da dor de uma mulher, da dor frente às desgraças. A figuração dada ao rosto feminino permite o olhar sobre diversas perspectivas. Mulher chorando retrata a dor e o sofrimento perante as tragédias humanas.

Ele pintou, durante todo seu percurso, de artista fabuloso, várias figuras da mulher. Todas estas figuras traduzem em uma linguagem de signos recém elaborados a sensibilidade e a emoção de um artista radical e inspirado diante do teatro humano.

Para Picasso, a mulher representava suas relações afetivas, e a sexualidade e o corpo eram representados muitas vezes em figuras desfiguradas e as cenas e situações que ele colocava a mulher, refletiam muitas vezes, a posição social que esta ocupava na época.

Esta é uma obra contemporânea do painel Guernica. É mais uma demonstração da genialidade do artista em converter a realidade em sua criação, como se fora um xamã. Os olhos da figura, por exemplo, parecem pequenas vasilhas que derramam grossas lágrimas sobre o lenço transparente.

Fonte: http://www.auladearte.com.br/historia_da_arte/picasso.htm

A Mulher que chora - Picasso

As gravuras de Picasso são todas elas expressão legítima do extraordinário desenhista e gravador que foi Picasso: nelas se manifesta, além da inventividade temática e formal, a competência do gravador, do artesão, que, também nesse plano, violenta as normas e as técnicas. A maior parte das gravuras expostas tem por tema o rosto de Dora Maar, companheira do artista nesses anos de guerra. Tanto na gravura quanto na pintura o rosto de Dora aparece como uma obsessão.A levar-se em conta as palavras do próprio Picasso, segundo as quais ela era essencialmente "a mulher que chora", pode-se admitir que, ao retratá-la, estava expressando o estado de espírito que a guerra lhe provocava. Essa explicação temática não exclui, porém, antes inclui, a exploração formal do tema: na série em que a figura de Dora se repete com mínimas mudanças, evidencia-se um dos procedimentos básicos do artista no tratamento de seus temas: a necessidade de explorar-lhe as possibilidades formais e cromáticas até exauri-los. A gravura, por suas características técnicas, oferecia-lhe campo propício a esse procedimento.


"Na tela , também de 1937, Picasso retoma parte dos esboços feitos para Guernica, ampliando os traços (feitos à margem inferior esquerda) de uma mãe que carrega seu filho morto nos braços. Envolta em luto e dor, a mulher agora está sozinha.
O rosto fragmentado, distorcido e atormentado é realçado pelas cores berrantes. “As cores estão para um pintor assim como os conceitos estão para os filósofos“, diria Guilles Deleuze.
Curioso (se olharmos mais atentamente) é que os dedos da mulher tornam-se o próprio lenço, sendo mordido desesperadamente pela mãe, numa simbiose que representa (segundo uma das interpretações possíveis) a tristeza, a dor da perda de um ente querido em um mundo atroz e cruel.

No dizer de Alberto Beuttenmüller:
“Picasso é o artista do devir e o que está passando, a um só tempo, do hoje e do arcaico, o artista que mudou tudo para que tudo restasse no mesmo lugar. O artista veloz que se permite ser do século XX e de todos os séculos, sem deixar de ser do agora. Picasso foi um movimento que se fez pintura, mais que todas as escolas do século XX; foi e é o pintor-tempo.”(Fonte: Blog Acerto de Contas)


LES DEMOISELLES D'AVIGNON

"É o ponto de partida das pesquisas que resultariam no cubismo. Iniciado em 1906, só ficou pronto no ano seguinte, depois de muitas transformações. Nesta tela, Picasso expressa a sua revolta contra toda a arte Ocidental com génese na Renascença, a qual representava a beleza da mulher e deu expressão a uma nova era da arte denominada “Cubismo”, resultado da sua vivência e do contato com outros tipos de arte, nomeadamente: as esculturas ibéricas e africanas, cujas formas arcaicas o artista foi modificando até atingir a geometrização rigorosa e, por fim, deformação radical. LES DEMOISELLES D’AVIGNON foi a primeira invenção moderna que abriu caminho para transgredir convenções e tradições visuais naturalistas do ocidente. Picasso subverteu por completo as regras de representar a figura humana e os objetos, desconstruiu o corpo e a separação entre figura e fundo, a anatomia foi subordinada à geometria e a luminosidade sem compromissos com a natureza, totalmente livre. A figura humana, que era para Rafael, principal elemento da representação, passou a ser um objeto a mais na paisagem, sem expressividade. A arte deixou de ser cópia ou ilustração do que é entendido como real. O que importava era o espaço construído com um olhar inquieto que pretendia desnudar as aparências para expor suas estruturas internas. Picasso se inspirou nas "Banhistas" de Cézanne. A pintura apresenta cinco figuras femininas submetidas a estilizações geométricas, corpos angulosos e desproporcionais, fragmentados, com mascaras africanas nos rostos para abolir de vez os últimos resíduos da representação renascentista. Uma pintura simultânea, com justaposição de perspectivas, uma solução encontrada por Picasso para mostrar os múltiplos pontos de vistas sobre uma mesma coisa, de frente e de costas ao mesmo tempo, que remete a certas preocupações científicas da época, o problema da representação quadridimensional, objeto de estudo do matemático francês Henri Poincaré, considerado um dos precursores da Relatividade.Esta obra representa, para além de uma obra-prima do cubismo mundial, a violação de todas as tradições e convenções visuais naturalistas ocidentais, ao apresentar cinco aleivosas (prostitutas), representadas de forma cubista, como se nota na mulher nua sentada à direita, vista simultaneamente de frente e de costas. Os rostos das personagens refletem o início do "Período Negro" na obra de Pablo Picasso, quando este sofre uma forte influência da primitivismo assemelhando-se a máscaras e esculturas africanas."
Horrível", "chocante", "monstruosa"... As reações de horror não faltaram quando Pablo Picasso apresentou, a pintura "Les demoiselles d'Avignon", que seria reconhecida como a obra fundadora da arte moderna.A representação de cinco prostitutas, duas delas com o rosto coberto por máscaras africanas, já não provoca mais escândalo, mas segue sendo uma impressão visual, "inclusive depois de um século de arte onde a única ambição foi sobrepujar a obra de Picasso", escreveu Michael Kimmelman, crítico do "The New York Times". As "Demoiselles" permaneceram durante anos longe dos olhos do público, antes de o escritor surealista André Breton convencer em 1924 o colecionador francês Jacques Doucet a investir numa obra que, segundo ele, "transcende a pintura, e é um retrato de tudo que se passou nos últimos 50 anos". Doucet pagou então 30.000 francos pela obra. O MoMA adquiriu a tela em 1939. Mais tarde, muitas obras vieram enriquecer as coleções do museu, um dos mais bem dotados do mundo. No entanto, "não existe outra obra que suscite a mesma atenção", afirmou Swinbourne. "Sempre enigmática, difícil de ler, misteriosa, é a chave de sua magia", finalizou.


"Avignon é um bairro de prostituição em Barcelona. Este quadro é provocatório, as mulheres estão pintadas sob vários pontos de vista, sem perspectiva e sem profundidade. As cinco mulheres são feias, a mulher mais à esquerda está imóvel e sem expressão, a mulher do canto superior direito têm um rosto de cão, e a abaixo desta parece uma escultura primitiva africana e está numa posição impossível (vista de costas e de frente).



As mulheres em vez de formas arredondadas são rectas.


Este foi o primeiro quadro verdadeiramente cubista."

 Fonte: do  http://www.spins.com.br/artigos_view.asp?id=1131&idcol=18